Orlei Barbosa

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18/03/2026, 15:07:40

Direito Tributário Municipal — Boletim (18/03/2026)

Direito Tributário Municipal — Boletim (18/03/2026)

Em meio à temporada de lançamentos e ajustes de carnês de IPTU/ISS em diversos municípios — e com a agenda do STF se aproximando de julgamentos capazes de repercutir diretamente em arrecadação e planejamento patrimonial — o contencioso municipal segue pressionado por temas clássicos (imunidades, base de cálculo e competência) e por uma camada nova: a implantação operacional do IBS/CBS (especialmente via documentos fiscais eletrônicos) e o uso crescente de IA no sistema de Justiça.

Decisões

STF retoma julgamento sobre imunidade de ITBI na integralização de imóveis ao capital social (Tema 1.348)

O STF retomará, entre 20 e 27/03/2026, a análise do alcance da imunidade do ITBI na integralização de bens imóveis ao capital social. A discussão é especialmente sensível para holdings patrimoniais e operações de reorganização, porque alguns municípios vêm restringindo a imunidade quando a sociedade possui atividade imobiliária (compra/venda/locação), gerando autuações e custos relevantes na transferência de patrimônio.

Do ponto de vista prático, a eventual consolidação de uma imunidade “incondicionada” tende a reduzir litigiosidade e a reprecificar operações de planejamento sucessório (integralização como etapa de estruturação), mas exige atenção a riscos paralelos: qualificação da atividade preponderante, prova documental da operação e alinhamento com regras locais de procedimento (lançamento, impugnação e emissão de guias).

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STF deve fixar tese sobre imunidade de IPTU em imóveis de estatais afetados a serviço essencial e reversíveis ao Poder Público (Tema 1.398)

O STF avança na definição de parâmetros para a imunidade recíproca de IPTU em imóveis ligados a concessões e reversíveis ao Poder Público (ex.: infraestrutura do setor elétrico). O recorte importa para municípios porque, a depender da tese final, pode haver impacto direto no potencial de cobrança de IPTU em ativos que, embora utilizados por estatais/sociedades de economia mista, estão afetados à prestação de serviço público essencial.

Para a advocacia municipal e para concessionárias, o ponto central é a delimitação do “bem afetado” (operacional) versus bens meramente administrativos, além de provas sobre reversibilidade e destinação. Na prática, a tese pode orientar tanto estratégias de defesa em execuções fiscais quanto o desenho de cadastros/lançamentos municipais, reduzindo riscos de nulidades por inadequada qualificação do imóvel.

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Projetos de lei e atos normativos

Belo Horizonte: PL do “Centro Ampliado” prevê incentivos com isenção de IPTU/ITBI e expectativa de compensação via ISS

Em Belo Horizonte, o PL 574 ("Centro ampliado") avança na Câmara com proposta de incentivos fiscais e urbanísticos voltados a novas construções e retrofit em áreas centrais. Do ponto de vista tributário municipal, chama atenção a combinação de isenção de IPTU e ITBI e de instrumentos urbanísticos (ex.: outorga onerosa), com a justificativa de que a requalificação pode ampliar a base de ISS na fase de obras/serviços e reativar a ocupação econômica do centro.

Para escritórios que assessoram incorporadoras, fundos e proprietários, o tema exige leitura fina: condições para fruição dos benefícios, eventual necessidade de comprovação de investimentos/cronogramas, impacto em due diligence (especialmente em operações de compra/venda com expectativa de incentivo) e possíveis discussões sobre renúncia fiscal, transparência e contrapartidas.

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Concórdia (SC): PREFIC 2026 abre janela de regularização de débitos de IPTU/ISS com descontos de juros e multa

O município de Concórdia mantém aberto o PREFIC 2026 para regularização de créditos tributários e não tributários (incluindo IPTU, ISS e taxas). A notícia reforça um padrão municipal recorrente: uso de programas de recuperação fiscal para reduzir estoque de dívida e evitar escalada para cobrança em cartório/dívida ativa — em geral com desconto integral à vista e condições específicas para parcelamento.

Para a atuação contenciosa e consultiva, vale o checklist: (i) elegibilidade (período do débito, inscrição em dívida ativa, execuções em curso), (ii) efeitos sobre garantias e honorários (administrativos/judiciais), (iii) impacto em certidões e em licitações/contratos e (iv) risco de rescisão por inadimplemento, com recomposição de encargos.

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Taubaté (SP): prorrogação do IPTU/Taxa do Lixo e detalhamento de escalonamento da PGV (limite anual de reajuste)

Taubaté prorrogou o vencimento da 1ª parcela do IPTU e da Taxa do Lixo (e também de parcela única com desconto), além de alcançar tributos mobiliários (ISS fixo, taxas e preço público). O material divulgado destaca elemento relevante de técnica legislativa/tributária local: a lei da Planta Genérica de Valores (PGV) com escalonamento e teto anual de aumento, mecanismo usado para amortecer impacto de reavaliações do valor venal.

Na prática, a prorrogação reduz risco de inadimplência e contencioso por falhas de entrega; já o escalonamento tende a ser argumento defensivo em discussões de razoabilidade/efeito confiscatório, ao mesmo tempo em que não elimina a necessidade de impugnação individual quando houver erro cadastral, classificação equivocada ou divergência de área construída.

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Juiz de Fora (MG): decreto prevê isenção de IPTU para imóveis atingidos por chuvas, com possibilidade de restituição

Em Juiz de Fora, foi destacado atendimento para orientar contribuintes na solicitação de isenção de IPTU prevista em decreto municipal para imóveis com danos causados pelas chuvas. O ponto prático, aqui, é a prova do evento e do dano: a notícia menciona exigência de laudo da Defesa Civil e documentação (fotos/vídeos), além de prazo para requerimento e possibilidade de devolução de parcela já paga, após análise administrativa.

Para advogados que atendem pessoas físicas, imobiliárias e administradoras de condomínio, esse tipo de benefício costuma gerar alto volume de demandas e indeferimentos por instrução incompleta. Uma estratégia simples é padronizar dossiê probatório (laudo, fotos datadas, orçamento/nota de reparos, comprovação de titularidade/posse) e acompanhar o trâmite até decisão, para evitar perda de prazo e facilitar restituição/compensação.

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Implantação da Reforma Tributária

NFS-e e transição IBS/CBS: padronização de layout e novos campos elevam risco de “erro formal” com efeito material

Materiais técnicos voltados à implantação da Reforma do Consumo reforçam que a nota fiscal (inclusive a NFS-e) passa a ser o principal “canal” de captura de informações para o novo IVA Dual (IBS/CBS), com campos específicos e classificações (CST, cClassTrib, NBS etc.). Para prestadores de serviços e para municípios, a consequência é direta: qualquer divergência de classificação tende a contaminar a apuração assistida, a tomada de crédito pelo adquirente e a trilha de auditoria.

Em termos de governança, recomenda-se mapear serviços x NBS, validar regras de emissão no ERP/emissor, auditar retenções e orientar clientes/tomadores sobre o que deve constar no documento — para reduzir autuações e glosas por inconsistência documental.

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Nota Técnica 007/2026 da NFS-e Nacional: ajustes no layout e ampliação de hipóteses documentáveis (inclusive locações e cessões)

A Nota Técnica 007/2026 do padrão nacional da NFS-e foi divulgada com atualizações voltadas à adequação a IBS/CBS. Um ponto prático relevante é a ampliação de códigos/hipóteses para documentar operações que historicamente nem sempre geravam NFS-e em sistemas municipais (por exemplo, certas operações com bens imateriais, locações/cessões/arrendamentos e direitos reais), além de ajustes de cálculo e validações para reduzir erros de preenchimento.

Para municípios, a mensagem é dupla: (i) as mudanças não alteram, por ora, a apuração do ISS (até implantação do MAN), mas (ii) ampliam a trilha informacional e podem aumentar o volume de documentos no ambiente nacional, exigindo atenção a integrações e fiscalização orientada a dados.

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IA em tribunais e escritórios

Brasil.IA Lab: MPs ampliam cooperação para compartilhar soluções de IA (minutas, transcrição e anonimização)

O MPDFT e o CNPG formalizaram acesso de diversos Ministérios Públicos ao Brasil.IA Lab, com compartilhamento de soluções como geração automatizada de minutas, transcrição/análise de oitivas, chatbots de apoio e serviços de anonimização de dados. Na prática, isso aponta para um cenário em que organizações públicas ganham capacidade de tratar volume e padronizar peças, elevando a necessidade de escritórios adotarem fluxos de revisão e diferenciação técnica (tese, prova e estratégia) para não competir apenas em “produção de texto”.

Para quem atua contra/ao lado do MP, o impacto imediato tende a aparecer em maior padronização de peças e em triagens mais rápidas. Já no médio prazo, cresce o debate sobre transparência, governança de prompts e cadeia de custódia de dados (incluindo LGPD), sobretudo quando IA é aplicada em bases sensíveis.

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Jurisprudência “inventada” por IA: multas por litigância de má-fé e risco de encaminhamento à OAB/MP

Decisões recentes vêm reagindo ao uso descuidado de IA generativa em peças, especialmente quando há citação de precedentes inexistentes. O destaque prático é que os tribunais têm aplicado multa por litigância de má-fé e, em alguns casos, determinado o envio de ofício à OAB e ao Ministério Público, aproximando o tema de um risco disciplinar e (dependendo do caso) penal.

Para escritórios, a lição é operacional: instituir política interna de verificação (checar ementa/acórdão em fonte oficial, capturar links/IDs, manter registro de pesquisa), limitar uso de IA a rascunhos e exigir revisão humana explícita — inclusive para evitar que “alucinações” comprometam credibilidade perante o juízo e o cliente.

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CNJ e OAB intensificam debate sobre supervisão humana, rastreabilidade e transparência no uso de IA no Judiciário

O debate institucional sobre IA no Judiciário continua se adensando, com ênfase em supervisão humana, rastreabilidade e parâmetros de transparência. Para a advocacia, isso se traduz em duas frentes: (i) como impugnar decisões/peças quando houver indícios de uso indevido (ex.: fundamentação padronizada ou incompatível com as provas), e (ii) como usar IA no escritório sem violar deveres de diligência, sigilo e lealdade processual.

Como ponto prático, é recomendável que escritórios documentem seus controles (checklists, trilhas de validação, política de confidencialidade) e que, ao identificar problemas em decisões, articulem argumentos de devido processo legal, motivação e individualização da análise, sem transformar “IA” em tese genérica.

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Curiosidades

Hortolândia (SP): após prorrogação, PIX do IPTU deixa de funcionar e município orienta pagamento por código de barras

Hortolândia alertou contribuintes de que, para boletos com vencimento prorrogado, o código PIX não funciona (por ter sido registrado com a data original), orientando pagamento via código de barras e emissão de segunda via no site. Para a rotina dos escritórios (e para departamentos fiscais), é um exemplo claro de como ajustes de calendário podem gerar ruído operacional e atraso involuntário.

No contencioso, esse tipo de falha/instabilidade costuma aparecer em pedidos de afastamento de multa/juros por fato imputável à Administração, especialmente quando há prova de tentativa de pagamento tempestivo. O ideal é orientar clientes a guardar prints/logs de tentativas e a utilizar canais oficiais de segunda via para evitar cair em golpes de boleto.

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